
A prestação de contas apresentada pela diretoria do Boi-Bumbá Caprichoso em 2025 expôs um cenário preocupante. Sob a gestão do presidente Rossy Marinho Amoedo, a dívida da associação cultural aumentou, alcançando a cifra de R$ 15.520.000,49. Apesar de ter sido apresentada como uma administração de “redução de despesas”, o balanço revelou um corte insignificante de apenas R$ 31.311,78, valor que não compensa o crescimento expressivo do endividamento.
Em números oficiais, passaram pelas contas do Caprichoso R$ 24.899.642,64 ao longo do período. No entanto, a transparência sobre os gastos e o real destino dos recursos deixou lacunas. Na assembleia de prestação de contas, poucos sócios se manifestaram para questionar a situação. A maioria, de forma quase automática, aprovou o balanço sem maiores debates ou esclarecimentos da diretoria.
Outro ponto que gerou críticas foi o anúncio de investimentos na Escola de Artes Irmão Miguel de Pascoal. Rossy Amoedo chegou a divulgar o projeto como grande marco de sua gestão, mas até agora as portas da escola permanecem fechadas. Alunos não estudam, oficinas não foram iniciadas e, na prática, o investimento se restringiu a uma ação publicitária que rendeu palanque ao presidente, mas não trouxe benefício efetivo à comunidade artística azulada.
Rossy Amoedo é cercado por uma bolha de assessores que o promovem como “grande líder do Festival de Parintins”. Nos bastidores, porém, cresce a desconfiança sobre a condução do Caprichoso, especialmente pelo ritmo do endividamento e pelas dúvidas sobre a prioridade dos investimentos.
As críticas se intensificam diante da movimentação política do dirigente. Hoje, às 19h, será realizada uma Assembleia Geral Extraordinária no Curral Zeca Xibelão, convocada pelo próprio presidente, com pautas que incluem:
Atualização do Estatuto;
Criação de uma nova modalidade de Sócio-Torcedor;
Implantação do sistema eletrônico de votação.
A principal preocupação de parte dos sócios é a possível alteração estatutária que abriria caminho para Rossy Amoedo tentar a reeleição ou até mesmo permanecer no cargo por tempo indeterminado. Setores internos classificam a manobra como um “golpe branco” para perpetuação no poder.
Recentemente, sob pressão, o presidente chegou a recuar em declarações sobre o tema, mas, com a aprovação das contas de 2025, volta a ter margem política para impor seus interesses.
O encontro desta sexta-feira será decisivo para o futuro do Caprichoso. Mais do que discutir estatuto, sócios e artistas esperam que a direção encare com seriedade a crescente dívida e o abandono de projetos prometidos – especialmente a Escola de Artes, que simboliza hoje a distância entre discurso e realidade.
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